Descrição dos Projetos Vencedores
Vencedor: Do Cortiço da Rua Solón ao Edifício União
Como muitos outros edifícios de seu período, o da Rua Sólon, 934, é uma estrutura de vários andares de concreto, parcialmente completada, localizada no bairro do Bom Retiro, perto ao centro de São Paulo e suas diversas atividades econômicas. Construído na década de 1970, o edifício permaneceu inacabado devido à morte do construtor, e foi subseqüentemente ocupado ilegalmente por famílias na década de 1980. Como acontece com tantos outros ‘edifícios invadidos’, os primeiros residentes estabeleceram um sistema precário de fornecimento de eletricidade com fios expostos, e uma forma bem básica de coleta de lixo. A superpopulação tornou-se grave com 73 famílias amontoadas no prédio, usando todos os espaços disponíveis inclusive o poço do elevador. Um projeto com estudantes da Faculdade de Arquitetura de São Paulo (FAU) para aprimorar o local foi iniciado.
Através de várias parcerias, inclusive do governo local, a universidade, instituições públicas, grupos de direitos humanos e empreendimento privado, parte da tarefa tornou-se a captação de recursos e a redução da ‘densidade’ do edifício. Mais de 30 famílias foram abrigadas em outro local, e os residentes remanescentes concentraram-se em melhorar o padrão de vida para toda a comunidade. Com recursos assegurados, os estudantes de arquitetura decidiram morar no edifício com os residentes durante uma semana.
A ação alcançou três resultados imediatamente visíveis. Primeiro, os mutirões ou iniciativas coletivas entre os estudantes e os residentes organizados para limpar o local, a começar pelas áreas comuns e com o acesso freqüentemente bloqueado ao edifício. Segundo, a instalação da rede elétrica coletiva permitiu a cada família ter uma medida confiável de suas contas de energia elétrica, e assim forneceu mais estabilidade econômica além de remover os riscos de incêndio do projeto anterior. Terceiro, eles melhoraram a fachada do edifício, colocaram portões de segurança e acrescentaram letras com o nome do edifício.
Edifício União: Os aprimoramentos físicos ao ‘visual’ do edifício e à suas áreas comuns criaram uma nova motivação que levou muitos dos residentes a fazerem melhorias dentro de seus próprios apartamentos. Paredes internas foram feitas e pintadas, novas cozinhas e banheiros foram instalados, com um determinado interesse na melhoria coletiva e na manutenção do local. Foram introduzidas aberturas em corredores escuros e escadas, para aprimorar o ambiente e reduzir o consumo de eletricidade. A parceria entre a universidade, futuros arquitetos, e os residentes do Cortiço da Rua Sólon estabelece um método para interação entre o social e o físico, entre o construído e o vivido, no coração da cidade, próximo a empregos, escolas e benefícios sociais.
Instituto ACAIA
Desde 1998, o Instituto ACAIA oferece um raro recurso para jovens de favelas da redondeza – uma espaçosa e bem-projetada oficina de artesanato e arte com extensas instalações para treinamento, no meio de uma área industrial em rápido processo de mudança. Embora esse projeto tenha fornecido dependências tão necessárias para crianças carentes fora do local onde residem, a iniciativa tem se expandido, com intervenções nas próprias favelas.
O Instituto ACAIA trabalha de perto com a associação de moradores para desenvolverem planos estratégicos e fazerem melhorias no espaço, na Vila Leopoldina, uma localidade que luta para acomodar 960 famílias de duas favelas que se assentaram lá desde 2006, próximo ao mercado atacadista de alimentos da cidade que fornece a maioria dos empregos para os residentes locais. À parte da construção de nova infra-estrutura de esgoto e pavimentação na favela densa e compacta, a iniciativa levou à criação de um novo espaço público com equipamento para recreação e uma ‘cabine de arte’ usada intensamente por crianças do local à porta de suas casas.
BioUrban
BioUrban é uma iniciativa urbana original conduzida por Jeff Anderson, um jovem estudante de sociologia, na favela Mauro, uma área da cidade de São Paulo que tem sofrido de degradação socioambiental. O projeto tem promovido a realização de uma série de intervenções estéticas que estão transformando a qualidade espacial dos arredores em um curto período de tempo. As intervenções incluem a limpeza de pequenos espaços e áreas-limite na frente das casas, o plantio de canteiros de flores no lugar de placas de concreto, a introdução de cores e materiais para humanizar as fachadas e a infra-estrutura exposta, a criação de trabalhos artísticos públicos por crianças no local e a apresentação de atividades coletivas – como sessões de pintura –dentro desses lugares urbanos ‘encontrados’. Todo o material usado no projeto vem de lixo encontrado nos arredores. Baseado no trabalho do artista e arquiteto Friedensreich Hundertwasser que defende “o direito à janela”, BioUrban é dedicado ao desenvolvimento da capacidade de liderança e à criação de espaços urbanos saudáveis dentro das áreas de risco social de São Paulo.
Cooperativa de Reciclagem Nova Esperança
A Cooperativa de Reciclagem Nova Esperança é uma parceria inovadora da Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo (CDHU) e residentes locais desenvolvida no Programa Integrado de Urbanização do Pantanal. Mais de 30.000 pessoas vivem em uma área localizada na periferia da zona Leste de São Paulo ocupando um terreno que antes era inundado, do rio Tietê, que tem sido sujeito a sucessivas ocupações de terra nos últimos 30 anos. O projeto foi pioneiro no uso de um novo sistema de coleta de lixo que gera renda para a cooperativa e reduz o volume de resíduos, antes depositados nas ruas da vizinhança, em espaços públicos e córregos. Além de estabelecer novas formas e tecnologias de reciclagem, o projeto visa a criar um espaço aberto para a comunidade, recuperando uma faixa do rio Tietê como parte de um programa mais amplo de aprimoramento urbano para a área. A cooperativa também organiza atividades sociais e educacionais que promovem a consciência ambiental na comunidade, colocando em prática os melhores princípios de planejamento sustentável.